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03/06/2006 15:40
ESTUDO VITAL
CONHECIMENTO E VIRTUDES
ESSA É A NOSSA META...
Mesmo resumindo ainda ficou grande, mas vale a pena ler, aprender...
SOBRE O AFETO
A quantidade de afeto que existe entre os amigos e, principalmente, a que circula no meio dos familiares, tem sido, inegavelmente, de baixa intensidade. Isso acontece por vários motivos sendo, um deles, lamentavelmente, a falta de informações a respeito, não apenas de que o fenômeno existe, como também, sobre como substituí-lo por um procedimento diferente. Desejando implementar mais afeto em nossa vida, precisamos tomar duas providências: aprender sobre isso; e adotar uma linha de esforço persistente. Conseguiremos, sem dúvida, e nossa vida irá melhorar de muito. Sobre o afeto basta lembrar que a verdadeira alegria é a sua decorrência imediata.
Durante a vida na Terra uma das principais incumbências que trouxemos foi a de melhorar nossa capacidade de produzir afeto, bom trato, agrado, carinho, para todas as pessoas de nossas relações. Sem isso não teremos aproveitado corretamente a existência. Como o nosso objetivo aqui é o aprendizado, eu quero perguntar a vocês: Como tem sido a sua expressão natural de afeto com os familiares e com os amigos?
SOBRE A GRATIDÃO
O assunto da gratidão, tanto para quem faz o benefício como para quem recebe, tem maiúscula interferência na construção da paz interior ou na do tormento íntimo.
É conhecido o nosso descaso para com os benfeitores de nossa vida, tanto os mais antigos quanto os atuais. Isso decorre, primeiro de um despreparo natural; e segundo, por causa do menor esforço. O certo é que não temos sido gratos aos que nos beneficiaram, nem um mínimo dentro do necessário. Isso é tão prejudicial à vida que não podemos deixar de analisar este assunto. Assim, pergunto: Como anda o seu sistema de gratidão para com os benfeitores de sua vida, atuais e do passado?
SOBRE O PERDÃO
Sobre o perdão o enfoque estar no imperativo de se descobrirem as mágoas recentes, bem como as mais antigas e trabalhar, esforçadamente, em cima de cada uma para que venha a diluir-se e desaparecer.
Sabendo que nós todos temos ressentimentos armazenados e que eles nos fazem um grande mal, eu pergunto: Você já fez algum levantamento sobre as suas mágoas e ressentimentos?
SOBRE O AUTOPERDÃO
A importância do autoperdão decorre de que toda culpa, consciente ou inconsciente, se refere a uma punição auto-aplicada em razão de uma falta inaceitável existente dentro de nós.
Um outro sentimento que muito nos prejudica é a culpa. Você conhece algo sobre o montante de suas culpas atuais e potenciais?
SOBRE OS COMPROMISSOS FAMILIARES
O tema do compromisso familiar se impõe devido ao fato de ser a família o núcleo mais importante na vida de cada pessoa, em cada existência na Terra. Havendo uma derrota aqui, pode-se perder toda a existência.
Todos sabemos qual é a importância da família no crescimento espiritual das pessoas. Importa que nos preparemos bem nesta área, retificando, enquanto estamos vivendo com eles, todas as condutas que sejamos capazes de identificar como impróprias. Assim, quero perguntar a você que grau de compreensão detém sobre seus compromissos familiares?
SOBRE O LAZER
Por último colocamos o lazer, não por ser menos importante. Todos precisamos adotar sobre ele uma visão mais altruísta, entendendo que, não a toa, foi colocado por Deus entre os homens.
O lazer sadio é uma necessidade na vida de cada pessoa. Acrescenta-nos, não somente uma satisfação natural de momento, como também nos recompõe os equilíbrios físico e psíquico, imprescindíveis para a permanência na carne pelo tempo previsto. Diga-me, como anda o seu índice natural de passeio e espraiamento durante uma semana?
ESTÁ FALTANDO AFETO?
Se o afeto fosse uma bebida poderíamos dizer que a humanidade dela padece de uma sede crônica. Por toda parte, porque o globo se tornou uma aldeia, vemos avantajada a sua carência. Há um, como que, imperativo para a desafeição, uma pressa generalizada em obter, em ganhar, em conseguir valores e vantagens para si, por qualquer processo, indiferentemente ao pesar e sofrimento de quem seja. Bem mais perto de nós, em casa ou no trabalho, também nos defrontamos com o alheio descaso para com os nossos interesses, a indiferença à pessoa que somos, tocando-nos, quase sempre, uma débil cordialidade social. Isto não é apenas uma denúncia aos outros, dado que nós também a merecemos, alinhando-nos com todos na efetivação do mal terrível.
O AFETO PROCLAMADO
Uma das curiosas dificuldades naturais do ser humano é a de mostrar o que sente de bom pelos outros. Gostamos muito de alguém, temos uma grande estima, admiramos imensamente, mas não externamos uma palavra sobre isso. Deixamos correr o tempo sem nada dizer, na maioria das vezes sem, sequer, tomar consciência do quanto queremos bem e apreciamos a pessoa. O mais irritante é que nos quedamos imensamente surpreendidos, por vezes, indignados, quando o ser amado conclui que o não estimamos e expõe isso com alguma segurança. Não sabemos que não há nada mais necessário e tão pouco atendido, que esta característica humana - a de gostar de ser apreciado ou, mais do que isso, a de precisar deste afeto. Não sabemos é porque não aprendemos e, então, por culpa nossa.
UMA ANÁLISE DA GRATIDÃO
A pessoa mal agradecida apresenta como característica principal o fato de, ao receber uma valorização ou favor, ficar completamente impassível, inexpressiva, como se o benefício lhe fosse naturalmente devido, passando a impressão de possuir uma indiscutível superioridade. Não poderíamos ser muito rigorosos com ela, dado ser possível que proceda sem tomar consciência do agravo que está produzindo nem das conseqüências imediatamente decorrentes. Ela pode ter aprendido a agir assim, desde pequena, com os seus próprios familiares e, neste caso, não tem culpa alguma de ser como é. Todavia, este é o comportamento extremo porque há outros menos marcantes em que o beneficiado movimenta alguma reação, um pequeno gesto de alegria e ou reconhecimento simples.
Aqueles que nos presenteiam ou fazem alguma gentileza, evidentemente desejam nos ver muito contentes e maravilhosamente surpreendidos e, sorridentes, proclamar nossa sincera alegria. Só que isso, quase sempre, não mostramos, deixando o outro desatendido e, inevitavelmente, frustrado. Possuíssemos um pouco de gratidão e, espontaneamente, nos alegraríamos, compensando o benfeitor, exemplificando elevada noção de virtude e aumentando, de verdade, nosso índice de prazer.
Não é egoísmo nem atraso gostarmos de que o nosso beneficiário fique agradecido, porque isso significa contentamento, o que, exatamente, desejávamos.
COMO ANDA O SEU ARREPENDIMENTO?
Existem dois tipos naturais de lamento. Um que é sustentado interiormente e se chama remorso e outro que se coloca para fora e se chama queixa. O primeiro pode ser exemplificado com aqueles sentimentos de amargura que nos alcançam por não termos feito alguma coisa que devíamos ou, então, por termos praticado algo que não era desejado.
Os arrependimentos variam muito de indivíduo para indivíduo e também dependem da intensidade emocional que os alcança. Alguns são de ordem social e cultural e já incomodam muito. Dentro desta linha lembro-me eu de algo que me desgosta. Lamento hoje o mau emprego do meu tempo em boa parte da vida. Compareci a uma porção de reuniões tolas e vazias, na esperança de encontrar algum acontecimento realizador; saí a passeio por muitos lugares, não adequadamente escolhidos, recolhendo frustrações; aboli, quase que completamente, os dias passados no campo, para grande pesar meu; assisti a um número enorme de programas de televisão sem absorver qualquer aprendizado ou satisfação compensadora; participei de encontros e conversas demoradas sem maior valor. Nestas horas mal empregadas poderia ter-me dedicado a numerosíssimos outros programas de alguma utilidade, como visitas a conhecidos que se alegrariam com minha presença ou, então, sentar e escrever alguma coisa boa para alguém. Lamento muito não me ter dedicado ao estudo sério de línguas estrangeiras; e sofro grande pesar por não ter aprendido a tocar bem um instrumento musical.
Mas o que mais me pega entre os arrependimentos se encontra nas ocasiões em que, por descuido ou de propósito, deixei de encorajar outras pessoas e, muito me compungem as ocasiões em que feri sentimentos delicados ou provoquei mágoa. Naquela situação em que um ente muito querido partiu para longe, posso lembrar-me de como me doeu lembrar cada vez que me faltou, para com ele, a necessária paciência ou uma compreensão que poderia ter tido e até pelas vezes em que não fiquei perto, simplesmente curtindo sua presença. Perguntas dolorosas me acodem sobre por que não lhe demonstrei maior gratidão e por que não falei do amor que eu sentia e lhe fazia falta saber. Sofro pelas vezes em que levantei a voz e por palavras amargas que cheguei a pronunciar... E a dor ainda fica muito maior se me ocorre lembrar que a pessoa ofendida não se queixou, não devolveu o agravo e não reclamou. Lembro-me de um dia em que bradei, irritado, com minha mãe, sobre uma comida que ficara meio salgada e eu estava com pressa para ir a um compromisso. Ela me olhou com tanto pesar... e parecia que estava sofrendo tanto... Até hoje ainda fico vendo aquele rostinho dolorido me olhando... Ai, que dor!... Bem, este é o remorso com sua componente dilaceradora. Mas tem uma outra que é, até, útil, se a gente souber aproveitá-la para evitar futuros desatinos ou para nos motivarmos a novos esforços. Aí, vale bem o ter sofrido.
Eu tenho esperança de que os meus arrependimentos não sejam inteiramente vãos. O que não pude fazer, talvez me ajude a motivar outros a conseguirem. Agora, tem uma coisa que já pude notar como vantagem: organizar o meu tempo de maneira propícia a evitar o desperdício e, também, policiar-me mais eficazmente para não aborrecer tanto os outros.
E, com isso, eu contei o meu lado. Espero que você pense no seu, com boa vontade e seriedade!
O PROBLEMA DA CONVIVÊNCIA
Até aquelas pessoas mais adiantadas, que levam uma vida comum em harmonia, padecem, ocultamente, de dissabores e amarguras que ninguém sabe, só a pesquisa o revela. Como iremos interpretar tal situação ? Tem causado grande impressão, ao observador, o fato de a relação de pessoas que, ainda por muito bem se quererem, tornarem-se gravemente antagônicas logo que passam a morar juntas. Poderíamos levantar algumas hipóteses explicativas, por pura elucubração filosófica.
1-) Hábito de Ganho - Muitos de nós costumam crescer vendo atendidos todos os desejos. Ao ligar-nos com alguém, em clima de igualdade, continuamos exigindo atendimento. E se este não vem, como esperávamos, reclamamos e agredimos.
2-) Impaciência - Mesmo que não exijamos realizações a nosso favor, temos pouca tolerância com os desacertos do parceiro e brigamos.
3-) Inabilitação - Nem sempre estamos adequadamente treinados para persistir fazendo uma tarefa estressante. Numa união isto surge quase que necessariamente, colocando-nos facilmente na vitimação. Daí para frente cada um age como consegue.
Podemos imaginar que nossa presença no planeta tem por finalidade aprender a conviver com os nossos iguais, através de um exercitamento que se efetua no continuísmo das horas, isto em razão de que toda viva alma passa, diariamente, por muitos desafios. Nesta hipótese, podemos tirar duas conclusões:
- Quanto mais bem agüentarmos os trancos diuturnos, mais valores iremos aliciando para riqueza de nosso caráter. Tem sido referido como de grande valor o homem chamado sofrido.
- A outra conclusão se refere aos males que nos caem se não pudermos suportar as provações naturais do caminho. É algo assim como a conseqüência do fracasso.
Precisamos pensar nisso. Até porque, ninguém pode dar testemunho daquilo que está fora de seu alcance. Poderemos, provisoriamente, pensar assim: devo fazer o máximo possível para suportar todos os percalços da vida. Mas, somente até o limite do meu possível. Este deve ser dilatado, mas é finito. Depois disso assumo o que vier.
DESENTENDIMENTOS FAMILIARES
Alguém já disse que o sofrimento conjunto dos problemas familiares incrementa a proximidade dos membros e o afeto entre eles. A verdade desta afirmação encontra, sem dúvida, exemplificação em nossa experiência. De fato, os componentes de uma família normal, quase sempre, movimentam muitos motivos para desentendimento. Quando tudo parece correr bem surge, não sei de onde, um fator de desagrado para alguém. E, como a paciência comum é pequena e o desrespeito é grande, o ofendido investe com poderosa virulência organizando a desarmonia.
Assim caminha a humanidade representada, em cada lar, por desamorosos consangüíneos, afoitos por realização de um inato sentimento de importância pessoal. Sendo os desentendimentos muito constantes podem alcançar o limite de aceitação gerando separações e inimizades. Quantos irmãos se detestam, quantos não se falam há anos, quantos filhos não gostam dos pais e segue além. Mas, tem uma coisa que trás a turma de volta ao aconchego da intimidade familiar: é o infortúnio. Quando a dor acontece, os parentes chegam de todos os lados, mostrando a força do sangue.
Pequenos desentendimentos, surgidos, às mais das vezes, por ciúme estapafúrdio, por competição desnecessária ou por simples e pura invigilância nossa, não podem ser levados muito a sério e gerar desafeição. Tanto que, na dor, na hora H mesmo, o que prevalece é o poder do DNA familiar. Mesmo que você conheça algumas exceções isso não anula a propositura que comparece com esmagadora porcentagem de superação. O bom, então, será operar com tranqüila serenidade, dentro de casa, mesmo que aconteçam aquelas briguinhas de vez em quando. A gente sabe que isso não vale nada, não é capaz de anular os grandes fatores de proximidade e união. E não teremos acanhamento em deixar tudo para lá, voltando a conversar como se nada tivesse acontecido. Porque, de fato, não aconteceu mesmo nada.
Afinal, não deveria eu tolerar mais o meu próprio pessoal? Se eu não fizer isso, o mais provável é que uma coisa puxe outra, aumentando o peso da separação. Com o tempo, haverá tanta coisa acumulada, tanta queixa viva, tanta lembrança ruim que não será nada fácil recompor e recomeçar. É claro que todos temos alguma queixa dos nossos parentes. Afinal, eles não são técnicos em entendimento e comportamento e, nem eu mesmo o sou. Natural, pois, que haja desacertos de parte a parte. A levar tudo com ferro e fogo, não sobrará ninguém dentro de minhas afeições. Prosseguindo descuidados, cultivaremos as reclamações domésticas que crescerão proporcionalmente. Quando eu assustar já não haverá mais espaço para uma reconciliação. E, se não houver um pesado infortúnio para restabelecer a paz, poderemos passar pela existência inteira sem consertar as coisas.
INDIFERENÇA NO TRATO
A indiferença no trato, avultando-se como uma das mais difíceis e dolorosas pragas do relacionamento, exige um estudo para melhor identificação de causas determinantes mais comuns: o que é? como aparece? quais as conseqüências naturais? como agir para reduzi-la? O problema se define como aquele procedimento casual que entregamos aos conhecidos, como se eles não merecessem e não justificassem a colocação de algum interesse. Olhamos, mas não vemos; conversamos, mas não acalentamos; ouvimos sem escutar; não entregamos atenção nem cordialidade; não olhamos nos olhos; não valorizamos; não elogiamos; não agradamos. É como se a pessoa não tivesse nenhuma importância e, assim, não teríamos de oferecer nada.
Como surge essa megera destruidora? Poderíamos alinhar quatro fatores responsáveis: o despreparo, a rotina, a insensibilidade e a vingança.
O primeiro fator se evidencia pelo desconhecimento que temos sobre a importância de valorizar os outros. É fácil de entender isso. Todos gostam de aparecer, de ser importantes e admirados. Nós não gostamos tanto? Não buscamos isso desbragadamente? Todo mundo é assim, é claro, mas quando nos falta informação a respeito, não chegamos nem a notar que os outros gostam e querem e, então, não procuramos entregar.
Outro fator da maior importância é a rotina, aquele resultado que obtém depois de muitas repetições iguais, no ramerrão das experiências seqüentes. Os entendidos dizem que a humanidade andaria muito mal sem ela, posto que nos evita muitos cálculos, raciocínios e planejamentos necessários ao normal da vida, poupando-nos enorme quantidade de energia e perda de tempo. Imagine que você tivesse de pensar em tudo o que fosse fazer, até caminhar, fazer gesto e engolir, por exemplo?
A insensibilidade é o fator seguinte. É por ela que não percebemos as necessidades alheias, não enxergamos, não avaliamos, não cogitamos. Permanecemos tão concentrados em nós e em nossos objetivos que nem notamos nada fora. Adotamos, então, sem perceber, a falsa suposição de que não há necessidade de nenhum movimento nosso a favor de ninguém, pois cada um que cuide de si e ao governo ou a Deus cabem as providências.
O último fator é a vingança natural, inconsciente, profundamente arraigada em nosso psiquismo. Já tendo vindo de encarnações passadas costuma receber muito reforço na atual, desde a infância. Por pequenina provocação, mesmo sem pensar, de modo inteiramente automático, bem depressa devolve o agravo, de preferência, muito aumentado, como no conhecido episódio da cara fechada.
E tem a vingança voluntária, planejada inteligentemente. Assim que o homem se supõe malferido por algum gesto alheio, que pode até ser até casual, já imediatamente se coloca no direito de aplicar uma recuperação de imagem. As providências, agora, são as mais variadas, conforme o teor da ofensa e a ferocidade da mente doentia que reclama. E a tônica mais geral é a de não se sentir em paz enquanto o suposto agressor não estiver caído de joelhos suplicando misericórdia. Aí sobe para a sua perturbada cabeça aquela sensação de vitória e de valor próprio que arroteia aos quatro ventos: Comigo não se brinca impunemente!
No esforço de sobressair-se o homem apela aos mais diversos expedientes, ainda que, tantas vezes, não sejam dignos. Não supõe sejam necessários os projetos de ações artificiais a serviço da qualidade vital através da lapidação dos procedimentos pequeninos. É claro que há. São os mesmos esforços de alegria que entregamos para os amigos e para as visitas. Não acontecendo isso, o nome do que entregamos e, até, por acaso, é indiferença. Cumprimentamos mal, conversamos pouco, agradamos nada. Mas, se surge um ensejo marcante, irrompemos como grandes amantes e defensores da família. Dir-se-ia que não temos esse direito, que não merecemos o lar que nos honra. Apiede-se de nós, Deus do Céu, porque a nossa vida tem corrido egoísta e, dos outros, desinteressada.
O que estamos descrevendo aqui se refere à regra geral. É claro que você conhece pessoas que fazem exceção. Conversam alegremente, contam casos, riem junto, escutam com atenção e interesse, brincam entre si. Mas, isso não muda a regra, porque a maioria é indiferente em casa. Se repararmos bem descobriremos que até nos casos de exceção ainda há muita indiferença que, para existir, não precisa ser 100%. Muitas pessoas consideradas boas não chegam a sê-lo neste máximo e o que falta para completar corre por conta da indiferença
O que importa perguntar, agora, é o seguinte: você vestiu um pouquinho essa carapuça ? Pensou em modificar alguma coisa no seu trato familiar? Se o fez, meus parabéns. Você vai crescer.
SOBRE O PERDÃO
São conhecidas as citações bíblicas no assunto: Perdoa para que o Céu te perdoe. - Perdoa imediatamente o teu adversário. E outras tantas. No pensamento do homem comum existe gravada a notícia sobre esta necessidade, considerada premente. No entanto, nós todos sentimos grande dificuldade para perdoar as ofensas recebidas. Importa considerar o assunto, ao menos, de passagem.
Numa esforço para entender o conceito, consideremos, primeiro, o que o perdão não é. Alguns dizem que o perdão consiste no esquecimento da ofensa. É evidente que não é isso. A gente pode perdoar sem perder a memória do acontecimento infausto. Como é que alguém poderia conseguir esquecer algo por simples vontade e decisão? Não conseguindo, perdoar seria impossível. Outros dizem que perdoar é deixar para lá. Também não pode ser. Encostar uma dada mágoa no inconsciente é um episódio inconveniente conhecido como repressão. Ele fica escondido, mas permanece vivo, causando muito estrago. Chegamos, então, ao ponto. Entendemos que perdoar é jogar a mágoa fora, por meio de uma decisão consciente. Somente se e quando isso for conseguido é que o perdão se caracterizou.
Agora, quais seriam as vantagens para quem perdoasse? Inúmeras, supomos, e muito compensadoras. Com um pequeno trabalho ganhamos um grande lucro. Muitas vezes, sendo nós o ofensor, ficamos arrependidos com o agravo praticado e desejamos recuperar as coisas, entretanto, nos falta a necessária postura de coragem. Se o ofendido tiver perdoado irá tratar-nos de um modo favorável, como se não tivesse havido ofensa. Aí, sentimos como nos foi agradável aquela sua atitude. Então, perdoar, faz um grande bem ao agressor, mesmo que ele não o perceba momentaneamente. Já, quando perdoamos por um ato consciente, sobrevém a nós, imediatamente, uma sensação tão intensa de valor próprio que não a poderíamos desconsiderar...
Um outro aspecto, de enorme importância, está ligado com a aplicação da Lei de Causa e Efeito, vigente no Universo, para todos os seres. Na medida em que relevamos algo, temos plantado uma semente boa. Oportunamente, aquilo volta a nós trazendo os frutos conseqüentes e sempre proporcionais em qualidade e quantidade. Assim entenderíamos a frase Perdoa para que o Céu te perdoe.
Além do mais, quando não perdoa o que é que você faz? Você vinga e com as maneiras mais variadas, sempre de acordo com o que você pode e consegue. Um modo muito rápido e muito comum é o de fechar a cara, conhecido de toda gente. O que significa ela senão uma dolorosa e imbecil vingança? Você viu alguém consertar alguma coisa fechando a cara?
Meditemos no perdão como uma alavanca de serviço, concebida para melhorar a vida das pessoas. Sem falso puritanismo, vale a pena...
CULPA E PERFEIÇÃO
Um dos mais dolorosos sentimentos humanos é o de culpa, um desagrado oculto, de intensidade maior ou menor, que martiriza sem cessar. A diferença entre culpa e arrependimento é que, neste, conhecemos a causa e, naquela, não conhecemos, sofrendo sem saber porquê. Evidentemente ninguém quer sentir culpa alguma, pelo que é bem normal tentar-se escapar dela o quanto for possível. A solução está, justamente, na consciência dos fatores capazes de infligi-la. É preciso conhecer, enfrentar, assumir e perdoar-se. Assim se enfraquece a perversa noção, ganhando-se a paz relativa desejada. Só que tais fatores são múltiplos e variados, donde a grande quantidade de culpa que a humanidade carrega.
Uma das causas mais notáveis é a procura da perfeição. A pessoa joga para operar de modo exato absoluto e como, naturalmente, não consegue, sente-se culpada, mas não sabe que seu desconforto vem da culpa de não ter conseguido. É o caso do bom aluno que se sente mal por não ter conseguido tirar dez no exame; a moça muito bonita que não foi eleita a miss no concurso; a mãe que, após grande empenho, vê se filho mal-educado; o caçador que dá um tiro e erra o seu alvo; etc. Conheci uma jovem estudante que chegava a adoecer quando não tirava o primeiro lugar na sua classe escolar. E você mesmo é capaz de ter ficado muito ofendido quando perdeu aquele primeiro lugar, lembra-se?
Nestes casos, assim como em todos os outros análogos, a dor seria evitada se o candidato não exigisse de si a nota máxima. Se tivesse conseguido contentar-se com uma boa colocação, não teria tido problema algum. Não estamos divulgando aqui a noção de que as pessoas devam ficar satisfeitas com uma posição inferior. Nossa discussão se refere ao fato de saber-se que a perfeição é impossível para o indivíduo imperfeito e é esta a condição do ser humano atual. Mesmo quando logra ficar em primeiro lugar numa disputa qualquer, tem muitos problemas que, se forem conhecidos, são capazes de indignificar o seu prêmio.
A Psicologia descobriu e informa ser necessário não tentar nunca a perfeição mas, sim, o crescimento: - suba um ponto de cada vez. A pessoa está no oitavo degrau de uma escada que possui trinta, por exemplo. Se ela tentar o nono, poderá conseguir ou não, mas a coisa é possível. Atingir logo o trigésimo é impraticável. Se entendesse, erradamente, ser possível, tentaria e ficaria culpada.
Está neste mesmo contexto a referência sobre o amor ao próximo como a si mesmo. A pessoa tenta, não atinge e queda-se culpada. Não devia porque não tem, ainda, uma estatura moral para consegui-lo. Só que a cultura social e as religiões oficiais ensinam assim. Que fazer? Esperar o tempo para obter a mudança? Ou tentar descobrir já a causa e buscar vencê-la?
Percebemos como é fácil a gente colocar uma culpa no interior do coração. Difícil é tirá-la de lá, mas, como não pode ficar, é imperativo descobrir um jeito de efetuar. Ele existe e chama-se autoperdão.
TEORIA DO AUTOPERDÃO
O desejo de perdoar-se não ocorre normalmente às pessoas porque nem sabem que isto existe e pode ser feito. No entanto, uma das providências mais úteis, em termos de saúde própria e de alegria de viver é, justamente, o autoperdão. Em sua ausência o sentimento de autopunição caminha para o máximo, dado que, perante uma pesada culpa a necessidade de alívio determina ações autocorretivas, considerando que foi isso apenas o que a pessoa aprendeu. Desde quando era pequena lhe ensinaram que o agressor precisava apanhar. Quando a criança se machuca numa cadeira, por exemplo, os adultos correm para auxiliá-la e, como recurso de compensação, batem na cadeira atribuindo-lhe toda a culpa e resgatando a dor através da punição. Vão, assim, aprendendo a culpar os outros e a machucar o ofensor. Um dia, este é a gente mesmo e, aí, segundo a regra aprendida, precisamos bater em nós, o que, indiretamente, é feito por meio do sentimento de culpa.
Interessante é que a culpa é, quase sempre, inconsciente e seu estrago é cumulativo e tem conseqüências dolorosas. Para combatê-la o primeiro remédio é o autoperdão que se pode praticar mediante uma técnica de procedimento toda especial.
Em primeiro lugar há que se analisar todos os aspectos do erro cometido: contra quem foi executado, como aconteceu, em que lugar, quais os fatores agravantes, como se portou a vítima, quais as conseqüências percebidas ou suposta, enfim, tudo o que puder ser pesquisado. Quando já não houver mais nada para explorar, deve-se fazer uma declaração solene de que esta parte está encerrada e que se vai passar à parte seguinte, com a promessa de não mais voltar a esta.
No segundo momento de trabalho será feita uma conjectura sobre tudo aquilo que se devia ter feito, caso se tivesse tido a intenção de acertar. São examinados, aqui, todos os aspectos do caso, desde o início até o fim, trabalhando-se minuciosamente para se conseguir a mais nítida imagem sobre o procedimento considerado ideal, percorrido passo a passo. Só então é que se passa ao item seguinte, não sem, antes, proclamar a decisão de não voltar à fase anterior.
Este terceiro momento é uma espécie de auto-afirmação por meio de um recurso meio que hipnótico. Então, do modo mais solene que for possível, a pessoa promete para si mesma que, se for defrontada, no futuro, por uma situação igual àquela que conduziu ao erro, não mais procederá como fez desta vez. Com toda certeza irá agir exatamente como imaginou que faria se tivesse agido de modo ideal. Vai-se adiante com a promessa de não voltar mais para trás.
O quarto momento é constituído por um outro episódio bem solene. A pessoa tem de se declarar, com toda a ênfase que puder, que está completamente perdoada.
No quinto momento ela tira uma conclusão muito importante. Uma vez que já explorou muito bem o seu erro; já descobriu como faria para acertar; já prometeu que vai se empenhar para cumprir o juramento; já se declarou perdoada; agora só falta esquecer o assunto. Então, solenemente, fala para si mesma: dou o assunto por encerrado e abandonado.
LAZER SADIO
Um dos procedimentos mais gerais do ser humano é o cultivo do lazer. Em todas as classes sociais iremos sempre encontrar alguma diversão preferida pelos moradores locais, em qualquer parte do mundo.
Há dois elementos motivadores para a marcante procura mundial deste imperativo instrumento. Um é relativo ao processo de recuperação do psiquismo. Durante os momentos de trabalho há um, como que, desgaste energético mental que rapidamente repercute no físico, determinando desagrado, cansaço e conseqüente redução na produtividade. Se a pessoa insistir na continuidade executiva, irá defrontar-se com lesões de gravidade variável. E não é somente pela parada no serviço que se obtém a recuperação necessária. Descobriu-se que a passagem por uma situação de prazer, natural ou provocado, é capaz de recompor o equilíbrio de modo muito mais intenso. Daí o despontar do lazer como um elemento indispensável.
O outro elemento se refere ao prazer em si. Ainda que não houvesse recuperação alguma para a saúde, a simples realidade da satisfação já seria razão mais do que suficiente para que todos procurassem intensamente, como sói acontecer nos agrupamentos humanos.
Até este ponto só enxergamos motivos para entronizar o lazer. Entretanto, como tudo na vida, há cuidados que não podem ser dispensados. Um deles é sobre a qualidade dos eventos buscados e preferidos, para o que se pode afirmar que há de tudo desde os mais inferiores até os mais elevados.
Por que as pessoas diferem tanto na preferência por um tipo ou outro, podendo até acontecer mudanças ostensivas na preferência de alguém no decorrer do tempo? O fator responsável principal é simplesmente educativo. Cada qual acaba gostando daquilo com que convive. Quem viveu na Europa nos meados do século XIX e primeira parte do século XX não poderia escapar ao encanto do lirismo da ópera de Belline, de Verde e de Donizette; e quem reside no Brasil de hoje não consegue fugir da forte motivação para aproximar-se da música sertaneja e do rock violento. Você aprende a gostar daquilo a que é submetido como fator de lazer. Mas, quando já aprendeu, não gosta de outra coisa, a menos que passe por um complicado processo reeducativo.
Há lazeres de nível bem baixo, conquanto isso não seja admitido pelos usuários, envolvendo viciações, flagelos etc. E há os de consideração elevada, que desobstruem os canais da alma, colocando o indivíduo em alto grau de emotividade sadia. Conheço pessoas que se enternecem até as lágrimas diante de passagens da Segunda Sinfonia de Sibelius, do Concerto nº 2 p. P.O. de Rachmaninoff, de uma tela a cores de Monet ou da representação em bel canto de Maria Calas.
Outro cuidado a tomar-se perante a eventualidade de um lazer se refere à quantidade. Há pessoas que não cultivam o respeito pelo limite. Porque apreciam uma dada bebida ou comida, entendem que devem usar porções enormes sem atentar para as conseqüências, apenas com a desculpa de que gostam muito. O mesmo vale para noitadas, para descansos, para trabalhos e, até, para aplicação de afetos. Nós todos temos ainda muito para aprender neste importantíssimo capítulo das dosagens convenientes para não nos resvalarmos nos terríveis despenhadeiros do excesso e de inconveniências mil... Então, o próprio lazer sadio ainda precisa ser praticado com o necessário recato!
DIVERSÃO E PECADO
Nenhum ser humano sabe, ao certo, porque e para que veio a este mundo. Mas, ninguém se furta de construir uma idéia, imaginando o mecanismo das coisas. Assim, eu entendo que o homem nasceu para realizar duas incumbências: conseguir a maior quantidade de conhecimentos que puder; e entesourar o maior índice possível de bondade. Se veio buscar isso, quando voltar ao ponto de partida, irá conferir os valores adquiridos. Adotando este conceito, enquanto estiver por aqui, deverá aplicar o maior empenho em ações capazes de lhe trazerem conteúdo para a bagagem de volta, ou seja, tentar aprender tudo e no máximo que tiver jeito e, também, procurar agir, sem descanso e sem desânimo, com um modo superior de trato, de convívio amistoso, de solidariedade aplicada, de tolerância, de compreensão, de amor, enfim, pois em tal consiste a bondade. Ninguém mandou que fizesse isso, ele mesmo é que escolheu, considerando o que sabe sobre o futuro.
Enquanto vive assim, este cidadão oferece a seus convivas um tipo de comportamento ideal, pelo que, é estimado, admirado, querido e amado, exatamente o que todo mundo deseja para si. Conclui-se que, mesmo se não fosse verdade aquela idéia sobre a cultura e a bondade, ainda assim valeria a pena viver na sua hipótese, considerando que o seu resultado nos leva a um estado de felicidade extremamente desejado e perseguido.
Focalizemos, assim, um homem virtuoso, que faz o possível para ajuntar uma bela bagagem. A pergunta, agora, é se este sujeito pode e deve divertir-se, cantar, dançar, passear, viajar, pular o carnaval e admirar as mulatas sem se incorrer na desaprovação da ética superior e perder os prêmios. Fazendo isso estará se desviando do caminho adequado, estará se enfraquecendo na virtude, estará, enfim, pecando? A resposta para isso não pode ser direta e seca. Existem nuances e condições.
É preciso estabelecer que o ato do prazer, em si, não é, absolutamente, pecaminoso, mas pode vir a sê-lo, considerando as exigências de intenção e limite. Antes de tudo é preciso saber o que impulsiona a ação, qual é o seu motivo. Até na criminologia existe a verificação se o delito é acidental ou intencional, apenas este cumprindo receber punição. De outro lado, existe o problema do equilíbrio, exigido para todo cometimento. Não se permitem nem a carência nem o excesso, pois a virtude fica na faixa que medeia os dois extremos. Então, as ações prazenteiras devem ser buscadas e praticadas, até por necessidade de recuperação do tônus adequado de satisfação e bom humor, imprescindíveis para a continuação da existência. Mas, durante o seu decurso, é indispensável se opere dentro dos limites da faixa de equilíbrio, não só para garantir a continuação da alegria própria, como também para preservar e contribuir com a satisfação alheia que, afinal, é um direito irrevogável.
Chegamos, pois, a um conceito final, racional, maduro e tranqüilizador: um determinado ato de lazer, como o carnaval, por exemplo, não contém, só por isso, pecado qualquer e,assim, reprovação alguma. Poderá ser um episódio absolutamente inocente e visto como uma festa maravilhosa, pelo altíssimo conteúdo social que possui. Os crimes, vícios, enganos, desilusões, distúrbios e quaisquer outras inconveniências, não podem a ele ser atribuídas, mas, sim, ao sujeito da ação, o homem deseducado e desequilibrado.
Resumo do estudo feito pelo Prof. Rodrigues Ferreira como parte da melhoria dos trabalhadores e assistidos nas quartas feiras na Associação Espírita A Caminho da Luz aqui em São José do Rio Preto
enviada por Espírita.com
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